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05/03/2010 - PROGRAMA JOVEM RURBANO

22/02/2010 - CRESCER NO CAMPO... MAIOR ENRIQUECIMENTO DE SUAS AÇÕES E UMA ATUAÇÃO MAIS ABRANGENTE.




PROGRAMA JOVEM RURBANO



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PROGRAMA JOVEM RURBANO
05/03/2010

Análises e publicações recentes sobre Educação, indicam que, os mais altos índices de vulnerabilidade Social – IVS, estão diretamente relacionados aos jovens em idade escolar equivalente ao Ensino Médio. No nosso Município, de Espírito Santo do Pinhal, não é diferente. Segundo o Diagnóstico do Município, realizado pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (2007), Espírito Santo do Pinhal tem um dos mais altos Índices de Vulnerabilidade Social, que é de 56,3%, entre as crianças e adolescentes (a média do Estado de São Paulo é de 17,6%.) A evasão escolar é de 29% dos jovens que não dão continuidade ao Ensino Médio.
Nossa principal atividade econômica ainda é a cafeicultura, a maior parte da área é ocupada por lavouras de café. No entanto, grande parte do trabalhador rural, que antes morava nas fazendas, atualmente, está se mudando para a zona urbana. O processo é inexorável, uma vez que os programas da construção de casa populares coincidem com os sonhos do morador do campo. Este almeja morar na cidade e ter a casa própria. Prevemos, portanto, que o campo se esvaziará e a zona urbana se expandirá. O trabalhador rural passará a ser transportado para as fazendas, onde continuará a exercer sua profissão. A criança e o adolescente que habitam, atualmente, a zona rural não estão totalmente incluídos no processo educacional. O transporte é insuficiente e o impede de ter uma freqüência regular às aulas, além de condições ideais para uma boa aprendizagem. A desvantagem começa desde que nascem. Habituados ao meio natural, uma criança pode conhecer nomes de peixes, plantas e árvores, porém, sem contato visual com letras e números e, com poucas condições para freqüentar parques e escolas infantis, permanecem despreparadas para a alfabetização e, sobretudo, para se comunicar e se expressar adequadamente.
Ao atingirem a idade de Ensino Médio, a situação tende a se agravar. Quando mudam para a cidade, estes jovens são arrancados de suas raízes culturais e passam, então, a flutuar entre dois mundos, o rural e o urbano, mundos com os mesmos sonhos, mas muito diferentes em sua cultura, seus valores e em seu viver. Pressionados, pela família, para trabalhar e sem qualificação para um emprego permanente (só trabalham na época da colheita), este jovem está mais exposto e vulnerável à contravenção e ao crime.
Em setembro de 2009, a Associação Civil Crescer no Campo, fez uma enquete com 50 alunos da Escola Técnica Agrícola Dr. Carolino da Motta e Silva (pertencente ao Instituto Paula Souza). Estes educandos são semi-internos ou internos. Queríamos conhecer o perfil deste jovem, quais os seus sonhos, o que deseja para o seu futuro, seus interesses e hábitos. A pesquisa nos mostrou que a maioria é do sexo masculino, têm 15 anos, nasceram em Espírito Santo do Pinhal, moram na cidade, onde foram criados. Dentre os cursos oferecidos, têm preferência pelo técnico em Agropecuária. No que se refere ao gênero musical, ouvem e cantam música sertaneja e gostariam de aprender a tocar violão. Talvez, por desinformação, pois são poucos os que já tiveram oportunidades de ir ao teatro, não se interessam por esta expressão artística. Dentre eles, somente 28% tem domínio das ferramentas oferecidas pela informática, sendo que o maior interesse é por sites de busca e relacionamento. 80% destes adolescentes têm computador em casa. 99% destes jovens sabem o que querem e almejam sucesso profissional, de preferência em uma grande empresa, e têm consciência de que para isto é necessário estudo, perseverança e dedicação. Mas, por não terem iniciativa ou conhecimento, queixam-se da falta de oportunidade de estágios ou empregos.
Sabemos que o mercado de trabalho exige, cada vez mais, jovens qualificados, articulados em seus pensamentos, que saibam ler e redigir corretamente, que sejam criativos na solução de problemas, que argumentem com coerência, o que requer espírito crítico. Infelizmente, as escolas não os preparam para o desenvolvimento de tais habilidades ou competências.
As organizações não governamentais devem, então, se preocupar em oferecer uma educação integral e não se limitar a atividades para capacitação técnica e profissionalizante.
Os desafios são muitos, mas não impossíveis. Se formos capazes de oferecer condições para que se desenvolvam em sua plenitude, estaremos transformando vidas, para que se tornem cidadãos éticos e responsáveis em um mundo melhor e mais feliz.
Autor: Rita Maria Cardoso Barbosa
Referencia: Presidente da Organização
 
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